Noite na taverna
Álvares de Azevedo · Carambaia · 2023 · capa dura · 168 p.
Sobre
Centésimo título lançado pela Carambaia, Noite na taverna é indiscutivelmente a primeira obra literária de terror da literatura brasileira. Foi publicado em 1855, após a morte do autor, Álvares de Azevedo, com apenas 20 anos (1831-1852). São cinco histórias de atmosfera onírica, contadas pelos membros de um grupo de amigos que se deixam levar pelos vapores do vinho e do tabaco numa taverna, cenário atemporal e sem localização precisa.
Nesses contos interligados, a morte forma um duplo indissociável do amor. Essa dicotomia surge nas figuras de mulheres trágicas e diáfanas em cenários lúgubres, não raro com a presença de túmulos, caixões e punhais. A vida e a presença humana trazem consigo a marca da contingência e da fragilidade, como formulada por um dos personagens: “O que é o homem? é a escuma que ferve hoje na torrente e amanhã desmaia: alguma coisa de louco e movediço como a vaga, de fatal como o sepulcro!”.
Os nomes dos personagens sugerem um estrangeirismo propositalmente vago, como se a taverna estivesse num plano acima da realidade – a noite como eterno presente, no dizer da escritora e pesquisadora Ana Rüsche no posfácio da edição. O primeiro a contar sua história é Solfieri. A narrativa sombria é sobre uma mulher misteriosa e pálida que, ele vem a descobrir, sofre de catalepsia – algo entre o sono e a morte.
Por sua vez, Bertram fala de um duelo, uma virgem deflorada e uma estranha viagem de navio. Gennaro, um pintor, se envolve com a mulher e a filha de seu mestre, que prepara uma vingança. A história de Claudius Hermann se desenrola a partir do amor por uma duquesa e o subsequente assassinato de seu marido. Johann retoma o tema de outra história, o duelo – desta vez seguido de reviravoltas sobrenaturais.
As histórias são precedidas por uma discussão entre os amigos sobre filosofia, que termina por contrapor materialismo e idealismo, exaltando a superioridade do segundo a partir de citações a Johann G. Fichte e Friedrich W. S. von Schelling, e sobre o panteísmo de Baruch Spinoza. Ao fim dos cinco relatos, há mais uma cena de volta à taverna.
Mais do que a filosofia, porém, as inspirações dessa obra de Álvares de Azevedo são o romantismo gótico de Lord Byron e E.T.A. Hoffman e as passagens mais fantasmagóricas de William Shakespeare. O resultado é uma literatura tão arrebatadora que o crítico Antonio Candido afirmou que “não é possível apreciá-la moderadamente”.
Como muitos românticos, Álvares de Azevedo fez de seu motor o tédio (spleen) que sentia em São Paulo, onde morou – vindo do Rio de Janeiro – para estudar Direito. A morte interrompeu seus estudos. Apesar de queixar-se da modorra paulistana, o escritor deixou uma obra poética que revela uma intensa, muitas vezes atormentada, vida interior. Ou uma “verve demoníaca”, como define Ana Rüsche.
SOBRE A EDIÇÃO
A edição, que conta com posfácio da escritora Ana Rüsche, sai com apenas 1.000 exemplares, numerados a mão, encadernado em capa dura, serigrafada em tecido, com meia-casaca, corte ilustrado e fitilho.
O projeto gráfico é de Silvia Nastari e teve como ponto de partida o estilo gótico da narrativa de Álvares de Azevedo, que nos apresenta contos sombrios, tétricos e ao mesmo tempo alucinantes e vertiginosos. A matriz da capa foi produzida de forma manual, em tipografia, com a utilização de tipos móveis originais do século XIX. São letras ornamentadas, com terminações em orbitais, estabelecendo um paralelo gráfico com a cadência dos contos narrados pelos personagens masculinos em estado de embriaguez. Desenhada pelo berlinense Hermann Ihlenburg, no século XIX, a família tipográfica Houghton consta de um dos catálogos de tipos mais antigos encontrados no Brasil, o da Fundição de Typos Henrique Rosa. Essa fundidora atuou entre o final do século XIX e início do XX no Rio de Janeiro, mesmo período em que Álvares de Azevedo escreveu Noite na Taverna.
Os textos de destaque do livro – títulos, aberturas e capitulares – estão na fonte Edison Swirl SG, versão d
Ficha técnica
- Autor
- Álvares de Azevedo
- Idioma original
- Português
- ISBN
- 9786554610483
- Ano
- 2023
- Páginas
- 168
- Formato
- Capa dura
- Dimensões
- 18 x 12 x 1,8 cm
- Acabamento
- Capa dura com meia-casaca em papel especial e tecido, serigrafia, baixo-relevo, corte ilustrado e fitilho
- Projeto gráfico
- Silvia Nastari
- Tiragem
- 1.000 exemplares, numerados à mão