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A Morte e a Donzela

Ariel Dorfman · Carambaia · 2022 · capa dura · 112 p.

Sobre

A Morte e a Donzela, um clássico do teatro moderno escrito pelo chileno Ariel Dorfman, é um dos mais contundentes retratos do momento posterior às ditaduras militares da América Latina e suas feridas abertas por mortes e torturas cometidas pelos mecanismos de repressão. Em três atos eletrizantes, narra o encontro entre Paulina, que havia sido torturada e repetidamente estuprada na prisão, com um de seus algozes, o médico que acompanhava e participava das sevícias. Entre os dois está o marido, advogado de direitos humanos que acaba de ser nomeado para integrar a comissão governamental de investigação dos crimes da ditadura chilena.  

A peça tem tradução de Sérgio Molina, introdução de Elie Wiesel – defensor de direitos humanos, sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel da Paz de 1986 – e posfácio do próprio Dorfman. A Morte e a Donzela teve diversas montagens em todo o mundo. No Brasil, foi encenada em 1993 com direção de José Wilker, tendo Xuxa Lopes, Tony Ramos e Otávio Augusto no elenco. No ano seguinte, Roman Polanski dirigiu a versão cinematográfica com Sigourney Weaver, Ben Kingsley e Stuart Wilson. 

O título A Morte e a Donzela é emprestado do majestoso Quarteto de Cordas nº 14 em Ré Menor de Franz Schubert, a música favorita do médico-torturador, que, numa demonstração de cinismo cruel, era tocada durante as sessões de tortura. A peça musical retorna no momento do reencontro entre vítima e algoz, de maneira quase fortuita. O enredo opera uma engenhosa inversão de papéis, quando Paulina consegue subjugar o médico.  

O pano de fundo é a redemocratização do Chile e a tímida reconstrução histórica do período anterior. Naquele momento, após a eleição do presidente civil Patricio Aylwin, em 1990, Pinochet se mantinha no comando das Forças Armadas, e a elite econômica continuava sendo a mesma que colaborara com a ditadura. As investigações sobre os abusos contra os direitos humanos se encontravam, portanto, dentro de limites estreitos: restringiam-se basicamente aos mortos pela repressão, deixando de lado os que sobreviveram, com profundas cicatrizes físicas e psicológicas, como as deixadas em Paulina. 

É essa a discussão que se estabelece entre ela e o marido, enquanto o médico, em situação de completa vulnerabilidade, aguarda seu destino ser decidido pelas mãos da antiga vítima. Instala-se um julgamento diante da plateia, levada por Dorfman a se posicionar. Ainda que o autor, com isso, tenha escolhido, em termos dramáticos, tomar distância estratégica dos acontecimentos, ele descreve no posfácio a reticência com que o espetáculo foi recebido num país politicamente fraturado – reação que só começou a mudar quando a peça se tornou um êxito internacional. Escrita em 1990, ano da difícil redemocratização chilena, A Morte e a Donzela é a primeira parte de uma trilogia composta ainda pela peça Leitor, adaptada de um conto de sua autoria, e o romance Viúvas, depois levada ao teatro em parceria com Tony Kushner.

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SOBRE A EDIÇÃO  

O volume faz parte da coleção Ilimitada, voltada para autores que ainda não caíram em domínio público e tem tiragem de acordo com a demanda. A capa da edição da CARAMBAIA tem projeto gráfico de Fernanda Ficher e reproduz a tela Hedda Gabler, da série Ibsen, da artista plástica Tatiana Blass.

Ficha técnica

Autor
Ariel Dorfman
Tradutor
Sergio Molina
Ilustrador
Tatiana Blass (imagem da capa)
Idioma original
Espanhol
ISBN
9786586398601
Ano
2022
Páginas
112
Formato
Capa dura
Dimensões
12,5 x 19,8 x 1,5 cm
Acabamento
Capa dura com serigrafia
Projeto gráfico
Fernanda Ficher
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