Os dias dos Turbin – peça em quatro atos
Mikhail Bulgákov · Carambaia · 2018 · capa dura · 160 p.
Sobre
Mikhail Bulgákov (1891-1940) foi um dos grandes escritores satíricos do século XX e, como tal, poderia ter sido incluído no rol dos exilados ou mortos pelo ditador Josef Stálin – uma vez que eram o regime e as doutrinas da União Soviética seu alvo principal. Bulgákov pagou caro por isso, e não chegou a ver nenhum de seus títulos mais célebres publicado em vida – entre eles seu romance mais conhecido, O mestre e a Margarida. Contudo, pôde viver uma vida relativamente protegida no cenário do terror stalinista, e isso por ter, quase inexplicavelmente, caído nas graças do tirano. No centro dessa situação singular está a peça teatral Os dias dos Turbin, que foi traduzida diretamente do russo por Irineu Franco Perpetuo, autor também do prefácio.
O ucraniano Bulgákov nunca foi favorável ao regime comunista, tendo servido no Exército Branco contra os revolucionários de 1917. Os eventos da Guerra Civil pós-revolução (1918-1920) em Os dias dos Turbin são referidos do ponto de vista de uma família burguesa e antibolchevique de Kíev, a capital da Ucrânia, onde se digladiavam os exércitos comunista e anticomunista, e os nacionalistas ucranianos disputavam o poder interno, com interferência militar alemã. A família da peça tem várias semelhanças com a do próprio Bulgákov (Turbin era o sobrenome de sua avó materna).
Os dias dos Turbin se baseia no primeiro romance de Bulgákov, A Guarda Branca, que havia sido publicado parcialmente numa revista e só viria a sair na íntegra após a morte do escritor. Depois de sucessivas interferências de agentes do regime soviético no texto da peça, além de uma “batida” durante a qual foram confiscados originais de seu apartamento e um interrogatório em que Bulgákov foi franco quanto à sua condição de simpatizante das forças contrarrevolucionárias, a peça – que teve ensaios supervisionados pelo lendário encenador Konstantin Stanislávski – estreou em outubro de 1926 no Teatro de Arte de Moscou, com grande sucesso. Até 1941, o espetáculo foi apresentado 987 vezes. Stálin, entusiasmado, teria estado presente a dezesseis récitas, algumas vezes incógnito.
Tentativas de banir a montagem de Os dias dos Turbin sob o argumento de ser antissoviética foram rejeitadas pelo próprio ditador, que defendia a ideia de que a peça provava que o bolchevismo era “invencível”, embora os bolcheviques sequer sejam referidos no texto e seu aparecimento ao som da Internacional tenha sido imposto ao autor. Mais tarde, em 1930, cansado de ser repetidamente impedido de publicar, Bulgákov pediu para emigrar, e de novo Stálin interferiu em seu favor – conta-se que o ditador telefonou para o escritor pessoalmente – e lhe ofereceu um emprego no Teatro de Arte de Moscou.
Sobre a edição
O projeto visual da edição de Os dias dos Turbin é do Bloco Gráfico e remete ao construtivismo russo. O contraste entre dois desenhos de letras faz alusão aos conflitos vividos pela família Turbin. O volume é encadernado em capa dura com revestimento especial texturizado e vem com quatro fitilhos, separando os quatro atos da peça
Ficha técnica
- Autor
- Mikhail Bulgákov
- Tradutor
- Irineu Franco Perpetuo
- Idioma original
- Russo
- ISBN
- 9788569002437
- Ano
- 2018
- Páginas
- 160
- Formato
- Capa dura
- Dimensões
- 15,5 x 23,5 x 1,5 cm
- Acabamento
- Capa dura com serigrafia e baixo-relevo
- Projeto gráfico
- Bloco Gráfico