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O Golem

Gustav Meyrink · Carambaia · 2021 · capa dura · 384 p.

Sobre

O Golem, do austríaco Gustav Meyrink (1868-1932), obra-prima da literatura fantástica, entusiasmou autores como H. P. Lovecraft e Jorge Luís Borges ao retratar a vida de um bairro em Praga, cenário de uma série de acontecimentos aparentemente inexplicáveis. Lançado em 1915, o livro fez um sucesso estrondoso, vendendo 250 mil exemplares na época. Publicado em diversos países e fonte de inspiração para filmes, óperas e peças de teatro, o romance ganha nova tradução, direta do original alemão, por Petê Rissatti e posfácio de Luiz S. Krausz, escritor e professor de Literatura da Universidade de São Paulo.

O Golem é uma criatura antropomórfica do folclore judaico, feita por mãos humanas a partir do barro. Como informa Krausz no posfácio, a lenda tem raízes no Talmude e está presente em tratados de filósofos judeus da Idade Média. Entretanto, o Golem conhecido fora dos círculos religiosos foi o personagem gigantesco que teria sido criado em Praga pelo rabino cabalista Yehuda Löw (1525-1609) para defender a comunidade judaica de ataques antissemitas. O rabino lhe dava vida ao inserir na boca um papel com a palavra hebraica emet (verdade). Segundo a lenda que atraiu o interesse de escritores românticos tardios no século XIX, esse personagem gigantesco foi criado em Praga por um rabino para defender a comunidade judaica de ataques antissemitas, mas teria se voltado contra o criador.

É o Golem de Praga que dá título ao romance do austríaco Meyrink, publicado em 1915. Sua presença direta na trama é uma entre numerosas referências a tradições místicas e ocultistas, mas tem grande importância simbólica. É uma espécie de força irracional e destruidora que paira sobre as intrincadas vivências do personagem central, Athanasius Pernath, mestre joalheiro cujo passado é obscuro até para ele mesmo. Pernath vive no Bairro Judeu de Praga, onde se passa a maior parte da história. Um dos aspectos mais impressionantes do texto de Meyrink é a descrição desse ambiente lúgubre, de pouca luz natural, onde as construções angulosas parecem se amontoar, povoadas de figuras estranhas que habitam suas vielas, corredores, escadas e passagens ocultas.

Entre essas figuras há personagens assombrosos: um sinistro vendedor de ferro-velho, uma esquálida prostituta adolescente, um surdo-mudo que recorta silhuetas em papel, um sábio versado no conhecimento religioso e sua filha encantadora, um marionetista e um jovem estudante com missão de vingança. Pernath se envolve em questões essenciais da vida desses personagens enquanto persegue uma busca da própria identidade por meio de indagações espirituais. Toda a narrativa é atravessada pelo tema do duplo, e os estudos do inconsciente, então em andamento por Sigmund Freud, encontram-se refletidos na fluidez narrativa de O Golem, em que realidade, sonho e alucinação convivem sem limites precisos.

Em 1920, o cineasta Paul Wegener anunciou seu terceiro filme sobre o Golem como uma adaptação do livro de Meyrink, embora as semelhanças fossem vagas. A obra, codirigida por Carl Boese, tornou-se um dos marcos do cinema expressionista alemão. Outros filmes, peças de teatro e óperas se basearam na lenda do Golem, inspirados ou não no romance de Meyrink, entre eles um dos mais brilhantes poemas de Borges, intitulado O Golem – o poeta dizia ser um de seus preferidos. 

Sobre a edição

Com encadernação em capa dura e pintura com verniz texturizado, o projeto gráfico deste livro faz referências tipográficas ao expressionismo alemão e ao movimento Plakatstil, de design de cartazes, que marcam a estética da Europa Central na época do romance. Na capa, o título foi composto de forma a representar a criatura que dá nome ao romance, um homem de barro de grandes proporções.

Ficha técnica

Autor
Gustav Meyrink
Tradutor
Petê Rissatti
Idioma original
Alemão
ISBN
9786586398175
Ano
2021
Páginas
384
Formato
Capa dura
Dimensões
13,5 x 23,5 x 2,35 cm
Acabamento
Capa dura com laminação e verniz texturizado
Projeto gráfico
Bloco Gráfico
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