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Úrsula

Maria Firmina dos Reis · Trinca Literária · 164 p.

Sobre

Uma jovem órfã vive sob a tutela de um tio autoritário quando um viajante ferido cruza o seu caminho — e a paixão que nasce ali desafia tudo o que a cerca. Mas Úrsula guarda outra camada, mais funda: as vozes dos personagens escravizados, como a velha Susana, que narra a travessia no navio negreiro com uma crueza que nenhum romance brasileiro tinha ousado até então. É o amor e é o horror, no mesmo livro.

Maria Firmina dos Reis foi uma mulher negra, professora concursada no Maranhão do século XIX — e publicou Úrsula em 1859 assinando apenas 'Uma Maranhense'. Num país escravocrata, em que mulher não devia escrever e pessoa negra só entrava na literatura como cenário, ela fez as duas coisas ao mesmo tempo. O romance circulou, desapareceu e passou mais de um século à margem, até ser redescoberto pela crítica e reconhecido como o marco que é.

Úrsula é hoje apontado como o primeiro romance abolicionista brasileiro e um dos primeiros de autoria feminina no país. Sua ousadia central: dar aos escravizados voz, memória e interioridade — gente que ama, lembra e julga, não figurantes da casa-grande. Escrito quase trinta anos antes da Abolição, o livro antecipa uma consciência que a literatura nacional levaria décadas para alcançar. É leitura fundadora, no sentido literal da palavra.

A edição da Trinca traz o texto integral em 164 páginas, com projeto gráfico colecionável que conversa com os demais volumes do catálogo. Escrito originalmente em português, o romance dispensa tradução: é a prosa de Maria Firmina dos Reis tal como saiu em 1859. Úrsula integra a TRINCA.05 — Escritoras Brasileiras, ao lado de A Falência e A Luta, e agora sai também avulso — para quem quer começar pela pedra fundamental.

Ficha técnica

Autor
Maria Firmina dos Reis
Páginas
164
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